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Fajã de Vasco Martins, Fajã Rasa, Fajã do Meio e Fajã da Ponta Furada

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Fajã de Vasco Martins
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Fajã Rasa
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Fajã do Meio
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Fajã da Ponta Furada

Na costa norte da ilha de São Jorge, entra a fajã de Vasco Martins e a fajã da Ponta Furada, localizam-se a fajã Rasa e a fajã do Meio, pertencentes ao curato do Toledo, freguesia de Santo Amaro.

Em tempos, o número de casas nestas fajãs era considerável. Hoje, na fajã de Vasco Martins restam, apenas, doze casas, na fajã do Meio restam sete e apenas quatro na fajã da Ponta Furada. Nestas casas ainda existem lagares de pedra interiores e adegas exteriores. Na fajã de Vasco Martins podemos observar, ainda hoje, um alambique (equipamento utilizado na destilação de bebidas espirituosas).

Na fajã de Vasco Martins havia dois moinhos, um junto à ribeira e outro movido pela Fonte das Tias Cabrais. Aqui, encontra-se também a Ribeira das Airóses que forma um poço no seu último salto, denominado Poço das Airóses por ter eiróses (enguias).

Possuindo várias fontes, que ali nascem, estas fajãs são abundantes em água. São de salientar, na fajã de Vasco Martins, a Fonte Nova, Fonte Velha, Fonte da Saúde, Fonte das Melroas, Fonte dos Burros, Fonte das Tias Cabrais, Fonte das Caldeiras e a Fonte do Estrelo.

Nestas fajãs cultiva-se a vinha, a fruta e a horta. Situadas numa área de clima propício, cultivam-se cebolas, milho, couves, abóboras, bogangos, inhames, batatas, tomates, feijão, ervilhas, melancias, figueiras, bananeiras, macieiras, vimes, entre outras.

Antigamente, as pessoas desciam à fajã em Fevereiro e Março para invernar o gado, semear batatas e cultivar a vinha, habitando as suas casas ou adegas durante esse tempo.

Fajã de Santo Amaro

Faja Santo Amaro

Conhecida, antigamente, por Fajã da Moura, depois por Fajã do Campo Alegre, é, actualmente, designada por Fajã. Fazem parte integrante deste lugar, as ermidas de São Vicente Ferreira e do Desterro.

Pelo seu porto desembarcaram, no dia 9 de Maio de 1831, as forças Liberais comandadas pelo Conde de Vila Flor que tomaram, por assalto, a ilha de São Jorge em busca da conquista. Este foi, talvez, o episódio mais dramático e sanguinário de toda a ilha.

Próxima da ribeira da Fajã, encontra-se a casa onde viveu o ilustre Jorgense, João Teixeira Soares de Sousa, vereador da Câmara Municipal de Velas, Juiz substituto, deputado pelas ilhas de São Jorge e Graciosa, investigador e escritor.

Situam-se aqui os mais afamados laranjais da ilha e o aeródromo de São Jorge. Inaugurado em 1983, que se prolonga desde a Queimada.

Boa Hora

Este lugar é provido de uma ermida dedicada à Nossa Senhora da Boa Hora, fundada em 9 de Junho de 1711 pelo Padre Manuel Ferreira Madruga, que possui um sino oferecido por emigrantes da Califórnia em 1883.

Boa Hora
Ermida da Nossa Senhora da Boa Hora

 

A festa da Boa Hora realiza-se no segundo Domingo de Setembro, com missa cantada, procissão, arrematações, bazar e tourada à corda.

Trata-se de um lugar muito aprazível, que possui um estabelecimento de apoio ao turismo com habitações e um restaurante.

Queimada

Este lugar da freguesia de Santo Amaro, situado defronte à Vila das Velas, de onde se obtém a melhor e a mais espectacular vista da mesma, possuía muitas vinhas e era afamada pelo seu vinho verdelho.

 

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IMG_2894Antigamente, quem desejava deslocar-se às Velas, içava uma bandeira num mastro, existentes junto ao cais, construído em 1863. Este era o sinal que se dava a um barqueiro das Velas para ir apanhar os passageiros que desejavam fazer a travessia.

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Capela da Senhora da Luz

Há, aqui, uma capela dedicada à Senhora da Luz, festejada no primeiro Domingo depois de 8 de Setembro, bem como  um empreendimento turístico com uma magnífica vista para a Vila e uma quinta de turismo rural.

Ribeira do Almeida

Este lugar tem o nome da ribeira que, junto a ele, se precipita sobre a baía das Velas.

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Foi aqui que surgiu uma das fontes eruptivas do vulcão de 1580.

Um pouco a ocidente existe um miradouro que oferece uma excelente vista sobre a vila e a sua baía.

Miradouro da Ribeira do Almeida
Miradouro da Ribeira do Almeida

Toledo

Baptizado de acordo com os seus primeiros povoadores, oriundos da cidade espanhola com o mesmo nome, este lugar, deve ser visitado, de preferência, pela manhã, a fim de se desfrutar da paisagem. Paisagem, esta provida de hortências floridas, humedecidas pelo orvalho, que brilham à luz do sol, dividindo as pastagens.DSC04242

Um dos filhos ilustres deste lugar da freguesia de Santo Amaro, foi José Pereira da Cunha Silveira e Sousa. Nasceu a 11 de Dezembro de 1823, filho de José Pereira da Cunha e Silveira e de Joana Alves Pacheco. Após a conclusão dos seus estudos em 1850, regressou a São Jorge, onde presidiu à Câmara da Calheta entre 1852 e 1854.

Como pessoa culta e interessada, promove a criação da primeira Filarmónica de São Jorge, em 1854, na Ribeira Seca, adquirindo e oferecendo os instrumentos. Em 1864, concorre com a oferta do instrumental para a fundação da Filarmónica Velense (União). Em 1864 fundou o Clube Velense e construiu o Teatro Velense inaugurado em 1865, onde foram realizados espectáculos durante cerca de 80 anos.

Presidindo à Câmara das Velas, promove a iluminação da vila com candeeiros a petróleo, em 1877.

Comemorando o descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia, promove a construção coreto que, ainda hoje, embeleza o Jardim das Velas. É também da sua responsabilidade a construção da ermida de São José do Toledo, junto à qual, se encontra o Império do Espírito Santo, cuja porta é encimada por um valioso trabalho de pedra.

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Ermida de São José do Toledo
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Império do Espírito Santo

José Pereira da Cunha Silveira e Sousa morreu em Fevereiro de 1912.

Santo Amaro

Aqui existe uma Cooperativa de Lacticínios, uma fábrica de queijo, um restaurante e uma quinta de agricultura biológica.

Igreja de Santo Amaro
Igreja de Santo Amaro

Dos vários beneméritos desta terra, merece destaque João Inácio de Sousa, multimilionário que viveu e morreu nos Estados Unidos da América. Nunca deixou de pensar na sua terra. Tendo contribuído de várias formas para o seu progresso. Entre outras acções, deixou cem mil dólares (uma fortuna naquela época) ao hospital de Velas e a mesma quantia ao asilo dos idosos, hoje Casa de Repouso com o seu nome. Há, criado em sua homenagem, um busto na praça principal da Vila das Velas e uma rua com o seu nome (antigo Caminho de Baixo) na freguesia de Santo Amaro.

 

Pertence a Santo Amaro a Reserva Florestal de Recreio das Macelas que ocupa uma área aproximada de 6.3 hectares.

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Reserva Florestal de Recreio das Macelas

A paisagem de toda a freguesia é composta por manchas de vegetação endémica de regeneração natural, assim como bosquetes de cedro, fiadas de plátanos, de metrosíderos e de chorão e amplos espaços relvados. Existem também, alguns trilhos pedestres, importantes para o turismo da natureza e para o bem-estar das populações, tais como, o trilho de acesso à gruta da Caldeira, zonas de grande interesse Vulcanológico e o Caminho das Areias.

Descortinam desta paisagem, vários miradouros desde o interior da ilha a grandiosas vistas sobre o Canal Faial-Pico-São Jorge, dos quais são exemplo o miradouro das Macelas e o miradouro sobre a Vila das Velas.

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É nesta freguesia que se inicia (no dia 1 de Maio) e termina (meses de Outubro ou Novembro) a época das touradas à corda na ilha de São Jorge.