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Filarmónica da Sociedade de Recreio Amarense

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A Sociedade Filarmónica Recreio Amarense foi fundada a 1 de Novembro de 1929, na freguesia de Santo Amaro, de acordo com os estatutos de sete de Fevereiro de 1930 e de testemunhas orais, por António José da Silveira, Manuel Matos Barbosa, José Rodrigues Silveira e Francisco José Bettencourt.

Iniciou o seu caminho com 26 elementos e o regente José Vasco de Macedo. Homem este que compôs o Hino desta filarmónica e que perdura até hoje.

Quando foi fundada localizava-se onde é, hoje, a escola primária. Anos mais tarde, adquiriu sede própria até aos dias de hoje. Desde a sua formação, que os sócios sempre pagaram quotas (que teriam de ser necessariamente pagas, caso contrário, seriam excluídos da sociedade). De acordo com actas arquivadas, sabe-se que esta sociedade se reunia de quinzenalmente, ou de mês a mês.

Quanto às actuações mais importantes, sabe-se que tocaram ao senhor Governador Civil – Craveiro Lopes, ao Primeiro-Ministro da República, nas festas da ilha, tendo-se deslocado várias vezes às ilhas de Pico e Faial.

Actualmente, esta filarmónica conta com 40 músicos, 100 sócios e é dirigida pelo regente José Maria Alves Furnas.

Tendo como patrono São João, esta sociedade realiza, anualmente, uma tourada à corda para festejar o seu patrono.

Gastronomia

A gastronomia açoriana, embora encontrando algo de comum em várias ilhas do arquipélago, possui especificidades próprias em cada uma das ilhas de bruma.

Dentro das especificidades gastronómicas da freguesia de Santo Amaro, destacam-se: diferentes formas de cozinhar amêijoas, os enchidos de porco, as molhas de fígado e de carne, os mais diversos pratos de peixe desde a caldeirada à açorda. Porém, é na doçaria que os amarenses se esmeram.

Comecemos pelas Espécies – o seu nome virá, supostamente de “especiaria”. É um doce antigo em cuja confecção é utilizada a canela, a erva-doce, a pimenta, etc. Dado os seus variados formatos é igualmente conhecida por “bicho doce”.

As “rosquilhas brancas” ou “doce branco”, juntamente com a espécie são inseparáveis de qualquer festa do Espírito Santo. Confeccionada vários dias antes da sua utilização, é uma “rosquilha” consistente coberta com uma capa de açúcar cuja cor, muito branca, é mantida em segredo pelas “doceiras”.

Os esquecidos, doces confeccionados à base de gema de ovo, bastante “duros” são, normalmente, servidos em qualquer festa particular (casamentos, baptizados, comunhões) nas freguesias rurais.

Outro doce típico é o suspiro, feito com claras de ovos e de açúcar. Por esse facto, surge quase sempre acompanhado pelo esquecido, como forma de aproveitamento integral dos ovos.

Uma outra referência ainda, para os doces típicos das festas do Divino Espírito Santo, e comum em toda a ilha, são as “vésperas”. A confecção deste doce é morosa, uma vez que, após a sua preparação, têm de ser longamente amassadas até fazerem” flor” (o que leva em média 20 minutos por bolo). É tradição, serem oferecidas “vésperas”, nos Domingos do Espírito Santo e da Santíssima Trindade, a todos os que se encontram na festa, como símbolo de partilha e união.

Festividades

Em Honra do Divino Espírito Santo

Numa autêntica explosão de alegria, cores garridas e confraternização, a festa começa com a coroação do Imperador; prossegue com a exposição das insígnias na casa dos mordomos, e termina no dia da festa do Império.

Os devotos que participam na “coroação”, levam a bandeira, a coroa, a vara e o ceptro, insígnias que fazem parte da tradição festiva.

O gado, prometido para o Divino Espírito Santo, é escolhido e criado já com essa finalidade. Para o Divino, só o melhor animal serve. Talvez, por isso mesmo, a carne das sopas e das esmolas, seja da mais tenra e saborosa que se come. O pão, o queijo, o bolo de véspera, o vinho e o tremoço são oferecidos, em honra do Divino Espírito Santo, a toda a freguesia e a todos os visitantes.

Para a organização destas festas, as pessoas juntam-se em “Comissões de Mordomos” dando origem às “Mordomias” de Santo Amaro, da Boa Hora e do Toledo.

As bandas filarmónicas preparam-se para começar a época das actuações por esta altura. É no palanquim que se começam a ouvir os repertórios que vão presentear as gentes durante o ano.

Tudo leva a crer que, por altura do Espírito Santo, chegam novos ventos carregados de esperança, alegria de viver, fé e amizade.

Por toda a freguesia, homens, mulheres e crianças, participam activamente naquelas que são, indubitavelmente, as maiores festas da ilha e da Região – as Festas em louvor do Divino Espírito Santo. Estas iniciam-se no Domingo de Pentecostes e prolongam-se ao Domingo da Santíssima Trindade. Contam estas festas com símbolos como a Pomba Branca e a Coroa do Divino Espírito Santo.

 

A freguesia de Santo Amaro

Situada a oeste da sede do concelho (Velas), a freguesia de Santo Amaro confronta a norte e sul com o oceano Atlântico e a leste com as freguesias de Norte Grande e Urzelina.

Vista para Santo Amaro

A paróquia de Santo Amaro foi criada em 1961, denominada primitivamente de Santo Amaro de Almeida, designação atribuída por Jácome Gonçalves de Almeida, ouvidor de um dos capitães donatários da ilha entre os séculos XVI e XVII. Santo Amaro foi elevado a freguesia por resolução de D. Pedro II, em 20 de Outubro de 1691.

Em 8 de Abril de 1580 deflagrou a primeira erupção vulcânica na ilha, após o seu povoamento. Tendo-se registado, inicialmente, vários tremores de terra, cuja intensidade foi aumentando gradualmente. Culminou a 1 de Maio com o surgimento, nos montes sobranceiras à Queimada, de duas crateras eruptivas, seguidas, horas mais tarde, por uma nova erupção na Ribeira do Nabo. Um mês mais tarde, surgiu outra cratera, próxima da Ribeira do Almeida, com emissão de cinzas, lava e nuvens ardentes.

Pelas características amenas do seu clima e pela fertilidade do solo, o povoamento deu-se por diversos locais, nomeadamente, Fajã, Boa Hora, Queimada, Ribeira do Almeida, Santo Amaro, Toledo e Fajã de Vasco Martins.

Do seu património histórico-cultural, além da igreja paroquial de Santo Amaro, realça-se a ermida da Boa Hora, no sítio dos Mistérios. As capelas de Nossa Senhora da Luz, Desterro, São Vicente Ferreira, Cristo Rei e São José têm também algum interesse histórico e arquitectónico. Esta última, situada no lugar do Toledo, foi fundada em 1862 por José Pereira da Cunha da Silveira e Sousa.

Em termos culturais, a freguesia de Santo Amaro beneficia da filarmónica da Sociedade de Recreio Amarense, do seu agrupamento de escuteiros e da Casa do Povo.

Com pouco mais de novecentos habitantes, esta freguesia é essencialmente rural. A Agro-pecuária e, relacionada com ela, os lacticínios, contribuem de forma significativa para a economia local.